terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Crônica da espera



Ela estava ali, com olhar distante e destino incerto.
No que pensava? Para onde viajava? Sonhava, chorava ou alegre estava?
Não dá para imaginar.

Ela aguardava ali, com o fôlego cansado e as mãos calejadas.
No que acreditava? Poderia seguir adiante? Pensou em retornar por algum instante?
Não dá para decifrar.

Ela refugiava-se ali, com seus medos e devaneios.
O que a fazia estremecer? Por que o semblante triste escondia um auspicioso sorriso?

Impossível não questionar.

Ela escondia-se alia, com suas vergonhas e defeitos, lembranças e perspectivas.
Teria forças para se modificar? Ou persistir no erro seria a solução mais eficaz?
Definitivamente, não dá para entender num olhar.

O que se sabe?
Mesmo remando contra a maré, ela estava e continua ali.
Esperando para se arrepiar, desejar, delirar e outra vez amar.
Ora sorrindo, ora chorando, sempre sonhando com aquele sorriso diferente, um gesto há tempos ausente, que pode nunca retornar.
Mas ali ela sempre vai estar.

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Até logo...


Ele era baixinho, mas alojava um sábio coração, que aprendeu a sobreviver com cada passo que dava, mesmo que fosse para trás. Seu Matias não está mais entre nós. Deixou aqui na Terra uma semente de valor inestimável, que vai continuar germinando e crescendo pela eternidade.

De poucas palavras, esse grande homem ensinou muito aos poucos que tiveram a honra de conhecê-lo. Para mim, a maior dádiva que ele deixou foi transmitir a todos que o cercavam o grande valor de cada ser humano que encontramos nesse mundo belo e ingrato, gracioso e confuso, pequeno e imenso.

Sim, é das pessoas que podemos tirar as mais preciosas lições. Amigáveis ou distantes, cada uma  que cruza nosso caminho tem algo importante a nos passar, seja por palavras, atos, sentimentos ou omissões.

Nada como a convivência para saber como desejamos ser tratados e da mesma forma agir em nossas relações. Nada como um minuto de bobeira do outro para afirmar “eu nunca vou agir assim” e fazer disso um propósito de vida. Nada como uma lágrima de alguém querido para você demonstrar o quão grande é o seu apreço por ele.

Alguns passam por nossas vidas como num estalar de dedos, o tempo necessário para nos deixar firmes marcas. Outras estão ali o tempo todo para nos lembrar de nossas responsabilidades. Tem aquelas que estão na mesma sintonia. E outras, porém, que mesmo trilhando um percurso adverso, conseguem mostrar por que apareceram.

Todas ensinam, com boas e más condutas. E isso é o que mais me impressiona. Por que se preocupar com o que o outro pensa de mim ao invés de tentar assimilar o que de melhor ele tem para oferecer, que são as próprias experiências?

Ainda há uma venda nos olhos da maioria, ainda incapaz de aceitar que viver em grupo é mais do que conveniência. É aprendizado. Seu Matias, com sua simplicidade, sempre falava de reforma, de mudança. Quer coisa melhor para testar nossos limites e valores do que respeitar as diferenças e aprender com elas?

É por assim pensar que eu vivo intensamente todas as relações, sejam as bruscas, as temporárias, no trabalho ou as amizades já consistentes. Por acreditar que ainda tenho muito para crescer que sou boa ouvinte, observadora, às vezes até pé no saco, mas tento sempre tirar uma casquinha de sabedoria de cada um que cruza o meu caminho.

A maioria pode até não se lembrar quem sou ou onde nos cruzamos. O contato pode ter sido mínimo, mas o suficiente para ficar gravado como uma lembrança agradável. Uma certeza: recordo-me com gratidão de todos, mesmo daqueles que o convívio tenha sido doloroso ou ainda haja resquícios de mágoa, pois já está mais do que provado que é das lágrimas de tristeza que nascem os mais valiosos ensinamentos.

Saudade tenho de muitos. Fizeram as próprias escolhas e traçaram planos que não se confundem com os meus. Prefiro não dizer adeus, pois carrego a esperança de que um dia haverá um novo encontro e terei a  oportunidade de aprender com eles uma vez mais. De outros, guardo a distância prudente e necessária com a certeza de que encerrei um ciclo.

“Nunca” é uma palavra que exclui do meu dicionário. Por acreditar na eternidade é que ainda espero por novos tropeços, desafios e por que não reencontros. Dizer adeus também é forte demais para quem deseja tudo isso. Por isso, naquela segunda-feira triste e vazia, eu não disse “adeus Seu Matias”. “Até logo e obrigada por tudo” foi ideal.

P.S. Seu Matias faleceu no dia 14 de janeiro de 2011. Era desembargador aposentado e presidente da Casa de Luz Vovó Maria Conga, onde desenvolveu, ao lado da amada Grécia, diversos trabalhos sociais e de socorro a milhares de pessoas que procuram na espiritualidade um acalento para suas dores, inclusive eu.

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Dia de TPM


Hoje é o primeiro dia da minha TPM de cada mês. Nada de dores físicas, cólicas ou adjacentes. Segurei as pontas o dia todo pra não chorar no trabalho. E já cheguei avisando para as mais íntimas:

- TPM. Se eu for grossa com alguém, releva!

De imediato, elas concordaram. Não é mito, drama, imaginação, blefe, coisa da cabeça, charminho, cu doce ou enganação. Como odeio ouvir isso de homens que nunca conseguirão entender o quão triste podem ser os dias que antecedem o ciclo menstrual! Isso sem contar os dias de maré vermelha. É sofrimento demais.

Chazinho ou calmantes? Não funcionam. Já testei muitos e é como beber água. Não há explicação científica, concreta ou sobrenatural para a tamanha tensão que nós mulheres carregamos no peito quando se aproxima a menstruação.

Uma coisa é certa: o melhor remédio pra esses dias tortuosos, difíceis, quase intermináveis é carinho. Essa dor inexplicável que bate no peito pode ser pelo menos amenizada com pequenos gestos de afeto.

Não pergunte por que ou como, mas receber carinho me fez perceber que um dia de TPM pode reservar grandes lições. Hoje, aprendi que mesmo nos dias de melancolia, há motivos para sorrir. Obrigada @nadimachalup e @vskaren!

Aos homens um recado: não tentem entender ou estudar fatos concretos. A TPM é tão confusa e abstrata que nem mesmo quem é acometida por esse emaranhado de emoções e sintomas consegue entender. O que fazer? Respeitem e, acima de tudo, sejam carinhosos. Como? Descubram!

domingo, 30 de janeiro de 2011

E não somente ser ou estar

Aprendendo
A voar mais alto
A escutar o silêncio
A viver
E não somente sobreviver

Continuando

A despertar risadas
A provocar suspiros
A concretizar desejos
E não somente imaginar

Procurando
Novos horizontes
Novos amigos
Novo amor
E não somente almejar

Desculpando
As lágrimas insensatas
As dores mal curadas
Aqueles que não entenderam
E não somente deixar passar

Compreendendo
Que é preciso ir além do próximo passo
Que um sorriso vale mais que mil palavras
Que um olhar pode levar ao céu
E não somente beijar

Sentindo
Alguém cada vez mais perto
Outro alguém cada vez mais longe
Que sempre há algo além do concreto
E não somente sonhar

Querendo
Uma noite a mais
Um beijo a mais
Um sorriso a mais
E não somente ofegar

Aprendendo...
Continuando...
Procurando...
Desculpando...
Compreendendo...
Sentindo...
Querendo...
E não somente ser ou estar

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Crônica da despedida


Não me olhe assim.
Lamentações não camuflam certezas. É o momento exato de seguir sem permanecer abotoado a lembranças, a fatos isolados que não dão consistência ao presente. Convencer-me do contrário nos afastaria do que verdadeiramente almejamos.
O próximo passo será dado sem você.

Não diga infelizmente.
Felizes somos por não guardar cicatrizes. Temos o prazer inestimável de recalcar apenas momentos de intensa satisfação e amizade.
O próximo desejo não será por você.

Não me peça para ficar.
Cometer mais esse erro comprometeria um futuro que talvez nem se realize, mas que se revela promissor e evolutivo.
Na próxima queda, não terei você para me levantar.

Não cogite uma última vez.
Prefira esconder seu desejo, controlar seu pulso, exalar um suspiro doce ao sentir meu cheiro à distância.
O próximo beijo não será dado em você.

Não se preocupe.
Alguém me espera para afastar o vazio que você não é capaz de preencher.
A próxima lágrima será de felicidade e você não poderá enxugá-la.

Não me impeça de voar.
De sentir o que os meus olhos humanos e imperfeitos ainda não são capazes de observar. Talvez imaginar possa sugerir insanidade, mas pés no chão nunca são garantia do acerto.
O próximo pouso será realizado sem você ao meu lado.

Não tente entender.
Nossas realidades não se confundem. Os pensamentos, sim, divagam por terrenos tortuosos e excitantes, mas infinitamente díspares. 
O próximo ensinamento não será compartilhado com você.

Apenas sorria.
E com este sorriso, espontâneo e convincente, reviva a nostalgia do encontro sem desejá-lo uma vez mais.
O próximo suspiro não será por você.

Não precisa dizer adeus.
O mundo é pequeno demais para não planejar reencontros. E quando a surpresa nos pregar uma nova e emocionante peça, não diga “oi”, não tente se aproximar ou mesmo me tocar. Em meio às máscaras das aparências, encare disfarçadamente meus olhos como a dizer “foi único enquanto durou”.


P.S.: Advinha!

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Eu gosto do seu corpo


Eu gosto do seu corpo
Eu gosto do que ele faz
Eu gosto de como ele faz

Eu gosto de sentir o calor do seu corpo
Dos seus ossos
E de sentir o tremor firme e quente
De quando lhe beijo
E volto a beijar...
E volto a beijar...
E volto a beijar...

E.E. Commings

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Poesia do dia!

Grão de Amor - Tribalistas


Me deixe sim, mas só se for
Pra ir ali e pra voltar
Me deixe sim, meu grão de amor
Mas nunca deixe de me amar

Agora as noites são tão longas
No escuro, eu penso em te encontrar
Me deixe só até a hora de voltar

Me esqueça sim pra não sofrer
Pra não chorar, pra não sentir
Me esqueça sim, que eu quero ver
Você tentar sem conseguir

A cama agora está tão fria,
Ainda sinto seu calor
Me esqueça sim
Mas nunca esqueça o meu amor

É só você que vem no meu cantar, meu bem
E só pensar que vem, lara ra ra
 

Me cobre mil telefonemas
Depois me cubra de paixão
Me pegue bem
Misture alma e coração